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Deficientes visuais conquistam inclusão social pela tecnologia.
Prestes a completar duas décadas de fundação em setembro, a Associação dos Deficientes Visuais do Município de Bagé (ADVMB) luta pela inclusão social dos associados, facilitando a participação em eventos voltados às suas necessidades. Desde o início de abril, usuários da entidade participam de nova turma do curso “Informática para deficientes visuais”, realizado no Colégio Emílio Médici, da Fundação Bradesco. O encaminhamento dos alunos é feito pela ADVMB.
É a décima-terceira turma desde a criação do curso, em 2000, tendo atingido dezenas de alunos sob as instruções da monitora Lediane Ramos Machado. Os módulos oferecidos são Virtual Vision 6.0, Windows XP, Internet 6.0, Word 2003, Excel 2003 e HTML com acessibilidade. Os softwares utilizados concentram-se em sentidos como a audição.
A presidente da ADVMB, Elisabeth Colman Dinegri, que perdeu a visão em 2003, participa da turma atual. Ela revela que os benefícios vão muito além da formação técnica. Entre eles, maior possibilidade de inclusão social, sociabilização, compartilhamento com pessoas em situação idêntica e resgate da auto-estima.
Um exemplo disso é Paulo Augusto da Rosa Moreira, 40 anos. Ele perdeu a visão há 14 anos devido a uma lesão no nervo óptico e vivia uma situação próxima da clausura até ser convidado para o curso, há cinco anos. Nas aulas, além de retomar o ânimo para o convívio social, conheceu a também deficiente visual Angelita Lima, que veio a tornar-se sua esposa. O sentimento de resgate da cidadania também levou-o a buscar concursos públicos, sendo classificado para uma vaga em uma autarquia local, para a qual aguarda convocação.
A aquisição de conhecimentos tecnológicos tornou-se um elemento a mais para a integração verificada na sede da Associação, na Rua Doutor Pena, 250. Mesmo enfrentando dificuldades estruturais como a pouca segurança do prédio - cedido pelo Estado - que impede a manutenção de computadores no local, os associados são assíduos nas tardes de segunda, quarta e sexta-feira. Entre as atividades, teatro, artesanato, e principalmente, práticas esportivas como ginástica e futsal, que já garantiram alguns troféus ao grupo. O enxadrismo é atividade rotineira.
Matéria produzida pelos acadêmicos do 5º semestre do Curso de Comunicação Social - Habilitação Jornalismo da Universidade da Região da Campanha - URCAMP, Campus Bagé, Marcelo Fialho , Queila Barão e Tarso Lannes, enviada Para o Portal de Bagé. Parabéns pela iniciativa e participação dos acadêmicos.